O avanço tecnológico traz novas técnicas e estudos cada vez mais modernos sobre as doenças que estão surgindo. Com novos modos de evitá-las, diferentes produtos para combater os microorganismos, vacinas; era de se esperar uma diminuição na ocorrência destas doenças, mas na verdade o que está ocorrendo é o contrário. Os surtos de DVA’s têm sido cada vez mais recorrentes. O estado do Paraná, um dos únicos a ter uma política de estudo e prevenção de doenças transmitidas por alimentos, 1,6 milhões de pessoas sofreram algum tipo de contaminação nos últimos 20 anos.
A estimativa é da Secretaria de Saúde do Paraná, e compreende apenas os casos que chegaram até hospitais e órgãos responsáveis, o que torna estas pesquisas difíceis e com dados pouco precisos. Esta estatística não serve apenas para países em desenvolvimento. Uma a cada três pessoas adquire uma doença decorrente da alimentação a cada ano. Nos Estados Unidos, os alimentos foram responsáveis por 325 mil hospitalizações, 5 mil mortes e 76 milhões de incidentes apenas em 2005.Para a Organização Mundial da Saúde, é evidente que a incapacidade dos países para assegurar plenamente a segurança dos alimentos está se agravando. Segundo a OMS, questões como globalização do comércio de alimentos, urbanização, mudanças no estilo de vida, degradação ambiental, contaminação deliberada, e desastres naturais; estão incrementando os riscos do consumo, contrariando a expectativa de que avanços consolidados na tecnologia garantiriam produtos melhores.
O problema fica ainda mais sério, quando falamos sobre o envenenamento alimentar. Como citado acima, é uma contaminação química, mais comum hoje quando falamos em agrotóxicos. Em 2007 a ANVISA fez um estudo e concluiu que nove alimentos têm agrotóxicos fora dos padrões permitidos. Os morangos comprovaram sua má fama, tendo as maiores quantidades fora dos padrões permitidos. Alface, maçã, batata, cenoura, laranja, mamão e tomate estão na mesma situação. As irregularidades foram classificadas em dois tipos: quando os limites de tolerância ao agrotóxico são excedidos e quando o agrotóxico encontrado não é permitido para aquele alimento. A maioria analisada, 80% dos casos, se encaixou no segundo tipo. Para a saúde, não faz diferença se o resíduo está acima do normal ou é proibido para o alimento, o mal que ele causa é o mesmo.
São indispensáveis a educação e a conscientização de todas as pessoas que manipulam alimentos, tanto em casa como em lanchonetes, bares, restaurantes, entre outros. É fundamental produzir e oferecer à população alimentos seguros, e com propriedades nutricionais que satisfaçam a um consumidor cada vez mais exigente, informado e atento sobre as Enfermidades Transmitidas por Alimentos.
É sempre bom lembrar que o maior fiscal e interessado, é o consumidor, que deve procurar saber a origem e a qualidade dos seus alimentos, principalmente quando adquiridos já preparados para o consumo.

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